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Dominar a concordância nominal e verbal é essencial para quem busca escrever e falar com clareza, precisão e elegância na língua portuguesa.
O que é concordância nominal e por que ela importa
A concordância nominal trata da regra que exige que os adjetivos, artigos, pronomes e numerais estejam em harmonia com o substantivo em gênero (masculino, feminino) e número (singular, plural). Sem ela, as frases ficam confusas ou gramaticalmente incorretas, prejudicando a compreensão da mensagem. Por exemplo, dizemos "o carro novo" para um único veículo masculino e "os carros novos" quando falamos de mais de um, enquanto "a casa nova" e "as casas novas" seguem o mesmo padrão para substantivos femininos. A lógica se estende aos pronomes, como "ele bonito" versus "ela bonita" e "eles bonitos" versus "elas bonitas", sempre respeitando a concordância entre o núcleo e os elementos que o acompanham.
A importância da concordância nominal vai além da correção formal, pois ela garante ritmo, clareza e fluência na comunicação. Em textos longos ou argumentativos, erros de concordância podem dispersar a atenção do leitor e minar a credibilidade do autor. Manter a coerência entre os termos relacionados ajuda a estruturar ideias de forma lógica, reforçando o estilo e a profissionalismo da escrita, seja ele acadêmico, jornalístico ou pessoal.
Regras básicas da concordância nominal
As regras da concordância nominal são relativamente simples quando entendidas as exceções. O primeiro princípio é que o adjetivo ou artigo deve concordar com o substantivo quanto ao gênero e número, como em "o livro interessante" e "a mesa redonda". No plural, ambos devem ser adaptados, formando "os livros interessantes" e "as mesas redondas". Para substantivos que terminam em -ão, como "ação", o padrão geralmente se mantém, resultando em "a ação" no singular e "as ações" no plural, com concordância de gênero e número.
- Substantivos masculinos que terminam em -o têm a forma feminina acrescentando -a, e no plural acrescentam -os no masculino e -as no feminino.
- Substantivos terminados em consoante mantêm a mesma base para os dois gêneros no singular, como "o amor" e "a dor", mas adicionam -es no plural ("os amores", "as dores").
- Há exceções relativas a substantivos que mudam de significado conforme o gênero, como "o pão" (comida) e "a pão" (instrumento musical), embora estas sejam menos frequentes no uso cotidiano.
A concordância verbal e sua relação com o sujeito
A concordância verbal diz respeito à adaptação da forma verbal ao sujeito da oração, considerando pessoa, número e, em alguns casos, gênero. Ela é a garantia de que o verbo "fala" com o sujeito de forma correta, como em "eu canto", "tu cantas", "ele canta", "nós cantamos", "vós cantais" e "eles cantam". A escolha da forma verbal deve seguir rigorosamente o núcleo do sujeito, mesmo quando há palavras como "também", "apesar de" ou "com", que aparecem entre o sujeito e o verbo.
Em construções mais complexas, como orações subordinadas substantivas, a concordância verbal continua sendo decisiva. Por exemplo, em "O fato de que ele chegou atrasado preocupa a todos", o verbo "preocupa" deve estar na terceira pessoa do singular, pois o sujeito é a oração "O fato de que ele chegou atrasado", e não a palavra "ele" que aparece nela. Ignorar isso leva a erros como "preocupam", que rompe a harmonia exigida pela gramática.
Flexão verbal e regras de concordância
A língua portuguesa conta com uma série de terminações verbais que ajudam a identificar rapidamente a pessoa e o número, facilitando a aplicação da concordância verbal. No indicativo, por exemplo, temos:
- Eu falo, tu falas, ele/ela/você fala, nós falamos, vocês falam, eles/elas falam.
- O passado apresenta formas como eu falei, tu falaste, ele falou, nós falamos, vocês falaram, eles falaram.
- O futuro segue o padrão eu falarei, tu falarás, ele falará, nós falaremos, vocês falarão, eles falarão.
Erros comuns e como evitá-los
Um dos erros mais frequentes na aplicação da concordância nominal e verbal acontece quando o sujeito é composto por duas ou mais palavras ligadas por "e". Nesses casos, o verbo deve estar na terceira pessoa do plural, como em "Maria e João são amigos", e não "é", pois a união dos sujeitos cria uma ideia plural. Outro equívoco comum ocorre com quantificadores como "parte dele", "uma parte dos", "a maioria dos", que exigem atenção: se a parte ou a maioria se refere a um núcleo singular, o verbo também deve ser singular, como em "a maioria dos alunos está presente", mas "a maioria dos alunos estão presentes" quando se pensa nos alunos individualmente.
Outro problema recorrente está em orações introduzidas por "sempre que", "assim que", "em caso de", "apesar de", onde o verbo pode ser atraído para o sujeito expresso logo após a conjunção, gerando confusão. Por exemplo, a frase "Apesar de eles estarem cansados, ele insiste" está incorreta, pois o sujeito principal é "ele" (singular), mas a oração subordinada "apesar de estarem cansados" não pode determinar a forma verbal do verbo principal. A forma correta é "Apesar de estarem cansados, ele insiste", mantendo a concordância entre o verbo do sujeito principal e sua pessoa e número.
A importância prática em situações cotidianas e profissionais
A aplicação correta da concordância nominal e verbal faz toda a diferença na comunicação profissional, jurídica e acadêmica. Em documentos oficiais, contratos e apresentações, a clareza é primordial, e erros gramaticais podem gerar mal-entendidos ou até questionamentos sobre a competência do autor. Um advogado que escreve "as partes assina" em um contrato transmite descuido, enquanto "as partes assinam" demonstra atenção aos detalhes e domínio da língua. Da mesma forma, em artigos científicos, a coesão entre sujeito e verbo ajuda a manter o fluxo lógico da argumentação, facilitando a leitura e a compreensão dos conceitos apresentados.
No cotidiano, seja ao escrever mensagens de trabalho, e-mails ou até postagens em redes sociais, a concordância nominal e verbal atua como base para uma imagem linguisticamente competente. Pessoas que falam e escrevem com acerto são percebidas como mais seguras e confiáveis, e isso reflete diretamente na forma como são vistas pelos outros. Portanto, estudar e praticar esses dois pilares da gramática não é apenas uma questão de regra, mas de clareza, respeito e eficácia na hora de se expressar.
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Conclusão
Compreender e aplicar a concordância nominal e verbal é dominar um dos pilares fundamentais da língua portuguesa, que age como base para uma comunicação eficaz, precisa e elegante.