Sumário do Conteúdo
Na análise histórica da literatura e da cultura brasileiras, percebe-se que entre de 1930 a 1945 se passava que fase do modernismo representou uma transição crucial, marcada pelo surgimento de novos movimentos e uma repensativa sobre os próprios ideais modernistas anteriores.
A Contextualização Histórica e Política
O período compreendido entre de 1930 a 1945 foi profundamente marcado por grandes transformações políticas no Brasil, que diretamente influenciaram o rumo artístico e cultural. Em 1930, o governo republicano vigente foi derrubado, dando início à Era Vargas, que se prolongou até 1945, passando pelo Estado Novo, um regime ditatorial que perdurou até o fim da Segunda Guerra Mundial.
Nesse cenário de instabilidade e controle estatal, a cultura não permaneceu alheia. O governo, sobretudo durante o Estado Novo, buscou ativamente moldar a produção cultural em prol de uma identidade nacional que reforçasse a legitimidade do poder. Surgiu, então, a famosa fórmula "educação pela palavra", que, longe de ser um mero empréstimo do modernismo, trouxe uma nova concepção sobre o papel do intelectual e da arte na sociedade, alinhando-a, em muitos casos, aos interesses políticos da época.
O Surgimento do "Condorencismo" e as Novas Formas Poéticas
Dentro desse contexto de reavaliação, emergeu um dos principais movimentos que caracterizou a fase em questão: o Condorencismo, liderado por Cassiano Ricardo, del Rio e Jorge de Lima. Esse grupo defendia uma poesia mais popular, concreta e vinculada à realidade social e política do Brasil, rejeitando o excessivo subjetivismo e a busca formalista que marcaram a fase anterior denominada "Modernismo Antropofágico".
Os condorencistas pregavam a necessidade de uma arte engajada, que dialogasse diretamente com o povo e as questões contemporâneas. Essa postura representava uma mudança radical em relação aos pioneiros modernistas, que celebravam a inovação formal e a experimentação linguística por si só. Para eles, a poesia precisava ser um instrumento de transformação social, um conceito que se alinhou perfeitamente com a ideologia do regime vigente, embora muitos poetas tenham usado essa ferramenta para questionar o próprio governo.
O Nacionalismo e a Poesia de Tema Nacional
Paralelamente ao Condorencismo, floresceu também a Poesia de Tema Nacional, que, como o próprio nome indica, buscava retratar o Brasil de forma direta e, em muitos casos, idealizada. Poetas como Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade, em seus primeiros momentos, contribuíram para essa vertente, explorando imagens do cotidiano brasileiro, do interior e das paisagens exóticas.
Essa fase foi, portanto, um esforço de consolidação de uma identidade cultural própria, distinta da europeia, mas ainda presa a um certo academicismo e formalismo. Ao contrário da Geração de 22, que revolucionou a poesia com o Modernismo Antropofágico — e que já estava em fase declinante durante esse período —, esses poetas buscavam uma linguagem mais acessível e um tema mais "sertanejo" e nativista, muitas vezes sem a complexidade e a ironia que viriam a caracterizar a obra de Drummond mais tarde.
A Transição para o Pós-Guerra e o Legado
O fim da Segunda Guerra Mundial e o consequente fim do Estado Novo em 1945 abriram as portas para uma nova fase da cultura brasileira. Contudo, o período de de 1930 a 1945 foi crucial para preparar o terreno para o que viria a ser o Modernismo mais maduro e crítico, representado pela Poesia Concreta e pelas obras de grandes nomes como Drummond, que começavam a questionar a própria linguagem e a relação entre o eu poético e o mundo exterior.
Portanto, podemos dizer que de 1930 a 1945 se passava que fase do modernismo foi um momento de transição e tensão. Foi um período em que o modernismo brasileiro, já consolidado, passou por uma remodelação importante, abrindo espaço para novas correntes que, embora mais engajadas politicamente, ainda carregavam traços de seu passado modernista. Foi a ponte que ligou o experimentalismo das primeiras décadas do século às vertentes mais críticas e existenciais que viriam a dominar a cena intelectual nas décadas seguintes.
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Conclusão
Em resumo, compreender o que aconteceu entre de 1930 a 1945 se passava que fase do modernismo é essencial para entender a evolução da cultura brasileira. Foi um capítulo de transição, onde as tensões políticas, sociais e estéticas moldaram novos movimentos como o Condorencismo e a Poesia de Tema Nacional, que, apesar de suas limitações, ajudaram a construir a matriz cultural do país no século XX, preparando o terreno para a eclosão de uma nova modernidade mais crítica e plural.