Sumário do Conteúdo
A subnutrição pode surgir de uma combinação de fatores que vão desde escolhas alimentares até condições de saúde e contextos sociais, afetando diretamente a energia e a resistência do organismo.
Déficit de ingestão calórica e qualidade nutricional
Um dos principais fatores que causam subnutrição é o déficit crônico de ingestão calórica, quando a energia total consumida não atende às necessidades do corpo ao longo do tempo. Isso pode acontecer em dietas muito restritivas, padrões alimentares monótonos ou em contextos de escassez de alimentos, levando a uma falta de macro e micronutrientes essenciais.
A qualidade das escolhas alimentares também é decisiva; mesmo ingerindo calorias suficientes, dietas baseadas em alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura saturada e sal, mas pobres em vegetais, frutas, proteínas de qualidade e grãos integrais, podem resultar em desequilíbrios que caracterizam a subnutrição oculta, especialmente em pessoas aparentemente com peso adequado.
Problemas de absorção e digestão
Mesmo quando a ingestão parece adequada, problemas de absorção e digestão podem impedir que os nutrientes sejam utilizados pelo organismo, sendo uma causa importante de subnutrição. Condições como síndrome do intestino irritável, doença celíaca, doença inflamatória intestinal e infecções gastrointestinais crônicas podem danificar a mucosa intestinal ou alterar a microbiota, reduzindo a capacidade de absorver vitaminas e minerais.
Outros distúrbios, como insuficiência pancreática exócrina, hepatite crônica e cirrose hepática, comprometem a digestão e o metabolismo de nutrientes, enquanto a falta de ácido clorídrico no estômago pode dificultar a liberação de vitaminas como a B12 de fontes alimentares. Nesses casos, a subnutrição surge não pela falta de comida, mas pela incapacidade do corpo de transformar os nutrientes em energia e estrutura.
Doenças crônicas e aumento das necessidades
O manejo de doenças crônicas muitas vezes aumenta as necessidades nutricionais e, se não forem atendidas, favorecem a subnutrição, criando um ciclo vicioso que piora o prognóstico e a qualidade de vida. Condições como câncer, tuberculose, HIV/AIDS, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e distúrbios respiratórios crônicos demandam maior oferta de proteínas, energia e micronutrientes para reparar tecidos, manter a massa muscular e sustentar o sistema imunológico.
O gasto energético elevado associado a febre persistente, inflamação crônica e catabolismo pode acelerar a perda de massa magra, enquanto otabagismo e o uso de álcool em excesso agravam a degradação muscular e a deficiência de nutrientes, transformando a doença em uma das causas mais frequentes de desnutrição em adultos ao longo do tempo.
Fatores psicológicos e distúrbios da ingestão
Aspectos emocionais e psicológicos desempenham um papel significativo, pois transtornos alimentares, depressão, ansiedade, isolamento social e déficit de estimulação no idoso podem reduzir o desejo de comer, levar a escolhas alimentares pouco adequadas ou até à recusa de alimentos, caracterizando um tipo de subnutrição relacionado ao comportamento.
A ansiedade e o estresse crônico podem alterar a saciedade e a fome, enquanto a obsessão por dietas extremamente restritivas sem orientação profissional pode resultar em deficiências graves. Em idosos, a anorexia de idade, associada à perda de olfato e paladar, torna a situação ainda mais vulnerável, exigindo atenção precoce para evitar progressão da subnutrição.
Condições sociais, econômicas e acesso a alimentos
Fatores sociais e econômicos são causas estruturais de subnutrição, especialmente em contextos de pobreza, insegurança alimentar e falta de acesso a mercados ou serviços de saúde. A escassez de recursos pode limitar a capacidade de adquirir alimentos variados, frescos e nutritivos, levando a uma dieta baseada em itais de baixo custo, energicamente densos, mas nutrientemente pobres.
A falta de infraestrutura, transporte, educação e tempo disponível para a preparação de refeições também contribui, enquanto políticas públicas frágeis e desigualdade no acesso a programas de complementação alimentar podem agravar o risco. Em comunidades marginalizadas, a subnutrição torna-se um ciclo difícil de romper, reforçando a importância de intervenções que abordem as causas raiz.
Uso de medicamentos e hábitos prejudiciais
O uso prolongado de certos medicamentos pode interferir no apetite, na digestão ou na absorção de nutrientes, sendo uma causa menos óbvia, mas relevante, de subnutrição. Exemplos incluem antidepressivos, esteroides, quimioterápicos, betabloqueadores e antiácidos de longa duração, que, ao alterar o metabolismo ou a disponibilidade de nutrientes, podem levar a deficiências progressivas.
Hábitos prejudiciais, como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, são ainda fatores de risco diretos, pois o tabaco prejudica a mucosa intestinal e reduz a absorção de algumas vitaminas, enquanto o álcool substitui a ingestão de alimentos, causa inflamação crônica e interferirá na metabolização de proteínas, vitaminas do complexo B e minerais, agravando a subnutrição ao longo do tempo.
Vídeos Relacionados

Sintomas que podem significar desnutrição - Você Bonita (20/08/20)
Além de falar sobre os sintomas que podem revelar se você está desnutrido, a nutricionista Fernanda Granja dá dicas de como ...
Prevenção e abordagem integrada
Reconhecer as causas da subnutrição é o primeiro passo para uma intervenção eficaz, que muitas vezes exige uma abordagem integrada, combinando orientação alimentar, manejo de doenças, apoio psicológico e, quando necessário, suplementação sob supervisão profissional.
Identificar precocemente os fatores de risco, seja em idosos, pacientes com doenças crônicas ou populações em situação de vulnerabilidade social, permite romper ciclos de deficiência e melhorar a qualidade de vida, lembrando sempre que a subnutrição não é apenas falta de comida, mas sim uma questão multifatorial que exige atenção personalizada e contínua.
Entender o que pode causar a subnutrição ajuda a criar estratégias mais justas e eficazes, transformando a prevenção em hábito e garantindo que cada refeição contribua realmente para a saúde e o bem-estar de forma duradoura.