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Quando o oxigênio foi descoberto, a ciência estava em uma das suas revoluções mais silenciosas e profundas, mudando para sempre a forma como entendemos a respiração, a combustão e a vida em si. A descoberta desse elemento químico essencial remonta ao final do século XVIII, um período de fervor intelectual na Europa, e envolveu esforços paralelos de alguns dos primeiros químicos modernos, que, muitas vezes por métodos diferentes, acabaram identificando a mesma substância vital. Embora o nome "oxigênio" venha do grego "oxy" (ácido) e "genes" (formador), sugerindo a crença inicial de que ele era o elemento base de todos os ácidos, a história de sua descoberta é mais complexa e envolve confrontos, repetições de experimentos e uma nova compreensão sobre a natureza do ar.
A busca pelo ar: contexto antes da descoberta
Antes de responder diretamente a pergunta "quando o oxigênio foi descoberto", é fundamental entender o cenário científico da época. No início do século XVIII, a teoria do fogo phlogistônico dominava a química, propondo que uma substância chamada flogisto era liberada durante processos de combustão e decomposição. Segundo essa visão, os corpos queima-dos perdem flogisto, ficando mais leves, enquanto a chama era vista como uma entidade que absorvia flogisto. Portanto, o ar que respirávamos era considerado um corpo estagnado, incapaz de se alterar mais. Essa teoria, embora correta em alguns aspectos, falhava em explicar diversos fenômenos, especialmente a combustão e a respiração. A busca por entender a natureza do ar e dos gases era o principal desafio que os cientistas da época enfrentavam, e essa investigação acabou levando à descoberta do oxigênio.
Enquanto isso, as primeiras pistas já vinham de estudos sobre a fixação do ar, ou seja, a capacidade de certos meios de absorver o ar "fixo" (dióxido de carbono). Em 1756, o químico escocês Joseph Black identificou e descreveu o gás carbônico, que ele chamou de ar fixo, ao estudar a calcinação de carbonatos. Esse foi um passo crucial, pois mostrava que o ar não era um único elemento homogêneo, mas podia ser decomposto em componentes distintos. Outro avanço veio com o físico suíço Daniel Bernoulli, que, em 1730, já havia especulado sobre a existência de diferentes tipos de ar, mas não conseguiu provar experimentalmente. A questão "quando o oxigênio foi descoberto" está intimamente ligada a essas investigações que desmontaram a noção de que o ar era uma substância simples e indestrutível.
Joseph Priestley: o "descobridor" acidental
O inglês Joseph Priestley, teólogo e naturalista, é frequentemente creditado como o primeiro a isolar e caracterizar o oxigênio, embora ele não tenha reconhecido sua importância biológica imediata. Em 1774, enquanto realizava experimentos com o mercurio calcinado, ou óxido de mercúrio, ele aqueceu o composto em um recipiente coberto por um espelho de vidro. Ao observar o vapor que se condensava, notou que uma bolha de ar "estava sendo repelida" e, ao testá-la com uma vela acesa, a chama queimou de forma muito mais intensa e vigorosa do que no ar comum. Priestley ficou maravilhado com a capacidade desse ar novo de sustentar a chama e, acreditando que era uma forma purificada do ar atmosférico, publicou suas descobertas em 1775, chamando o gás de "ar depurado". Para ele, a descoberta estava mais relacionada a um curiosidade fenomenológica do que a uma revolução química, e essa publicação marcou um momento crucial na resposta para "quando o oxigênio foi descoberto" pela primeira vez.
A reação de Priestley foi de incredulidade e empolgação simultâneas; ele não via nele um elemento químico revolucionário, mas apenas uma versão "melhorada" do ar. No entanto, sua demonstração pública em 1774, onde demonstrou que um rato podia sobreviver muito mais tempo em seu "ar depurado" do que no ar comum, trouxe a descoberta para o palco da ciência. A pergunta "quando o oxigênio foi descoberto" pode ser respondida em 1774, data do experimento com o mercúrio, mas é importante notar que Priestley não entendeu o verdadeiro significado daquilo que havia encontrado. Sua abordagem metodológica, no entanto, foi fundamental para abrir caminho para outros cientistas.
Carl Wilhelm Scheele: o químico que precedeu tudo
Enquanto Joseph Priestley publicava suas descobertas, outro químico, o sueco Carl Wilhelm Scheele, já havia produzido e estudado o mesmo gás anos antes, mas não divulgou seus resultados tão rapidamente. Scheele, um farmacêutico autodidata e ávido experimentalista, produziu o oxigênio em 1771 através da aquecimento de diversos óxidos, como o de manganês, o mercurio e o nitrato de prata. Ele chamou a substância de "ar puro" ou "ar fogo", reconhecendo sua capacidade de sustentar a combustão e a respiração de forma muito mais eficaz que o ar atmosférico.
Scheele acreditava firmemente na teoria do flogisto e interpretava sua descoberta como a confirmação de que o ar continha uma grande quantidade de flogisto, que ele batizou de "ar fogo". A publicação de sua obra "Tratado de Química" ocorreu apenas em 1779, muito tempo após os experimentos e após as descobertas de Priestley. Isso gerou uma disputa sobre a prioridade da descoberta, mas a importância de Scheele está em sua caracterização precoce das propriedades do oxigênio. Ao investigar "quando o oxigênio foi descoberto" historicamente, devemos reconhecer que as primeiras produções e anotações pertencem a Scheele, ainda que a divulgação tenha sido posterior.
Antoine Lavoisier: o nome e a teoria
Se Joseph Priestley e Carl Wilhelm Scheele descobriram o gás, foi Antoine Lavoisier quem deu a ele o nome e, mais importante, integrou-o à nova teoria da química. Em 1777, Lavoisier, um químico francês de renome, propôs a teoria da combustão baseada na oxidação, contrariando frontalmente a teoria do flogisto. Ele realizou o famoso experimento de queimar mercúrio em uma ampola selada, observando que o ar se dividia em duas partes: uma que suportava a respiração e a combustão (o oxigênio) e outra que não suportava (o nitrogênio).
Lavoisier foi o primeiro a reconhecer publicamente que o ar não era uma substância única, mas uma mistura de gases. Ele batizou o "ar puro" de Priestley e Scheele de "oxigênio", um termo que ele cunhou baseado na hipótese (mais tarde comprovada como incorreta) de que ele era o elemento essencial de todos os ácidos. A pergunta "quando o oxigênio foi descoberto" ganha um novo significado quando falamos de Lavoisier, pois foi ele quem consolidou o conhecimento sobre o gás, explicou seu papel na respiração e na combustão e, principalmente, definiu o caminho para a química moderna. Foi Lavoisier quem, em 1777, forneceu a descrição definitiva e o nome do elemento, respondendo de forma conclusiva à busca incansável por sua identidade.
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A importância de um elemento vital
A descoberta do oxigênio, seja em 1774 por Priestley, 1771 por Scheele ou 1777 na formulação de Lavoisier, foi muito mais do que um feito isolado de laboratório. Ela constituiu a base para o desenvolvimento da química moderna, da fisiologia e da medicina. Compreender que o ar que respiramos contém um componente ativo foi crucial para avanços na cirurgia, no tratamento de doenças respiratórias e no entendimento de processos como a fotossíntese, realizada por plantas e algas que liberam oxigênio como subproduto. A descoberta deste elemento nos permitiu desvendar mistérios sobre a vida e a morte, a energia e a decomposição, tornando-o um dos pilares da ciência moderna.
Portanto, quando refletimos sobre "quando o oxigênio foi descoberto", vemos que a resposta não é uma única data, mas um processo fascinante de descoberta coletiva. Foi a convergência de mentes brilhantes em um momento de grande agitação intelectual, onde a curiosidade superou teorias arraigadas. Cada um contribuiu com um pedaço do quebra-cabeça, desde a produção até a caracterização e, finalmente, à teoria definitiva. Hoje, reconhecemos que a descoberta do oxigênio foi um marco que transformou a humanidade, provando que entender o mundo ao nosso redor às vezes começa com a respiração de um único fôlego de ar.