Na gramática detalhada da língua portuguesa, entender a função e a diferença entre o que como pronome relativo ou que como conjunção integrante é essencial para construir frases precisas e elegantes, pois essa pequena palavra desempenha papéis gramaticais distintos que influenciam diretamente na clareza e na coesão do texto.
O que é o "que" como pronome relativo
O que como pronome relativo atua como um substituto de um substantivo ou de um grupo nominal dentro de orações subordinadas adjetivadas, estabelecendo uma conexão lógica entre orações e retomando elementos anteriores sem repeti-los. Sua principal característica é a flexibilidade, pois pode desempenhar funções diferentes dentro da oração subordinada, como objeto direto, objeto indireto, complemento nominal ou até mesmo sujeito, o que o torna uma ferramenta poderosa para unir informações de forma concisa e fluida.
Para identificar corretamente o que como pronome relativo, é útil observar a presença de um núcleo anterior que ele substitui e a capacidade de o pronome ser substituído por outras palavras sem alterar a essência da oração, desde que a relação de dependência permaneça clara. Por exemplo, na frase "O livro que você me emprestou está na minha mesa", o termo destacado introduz uma oração que explica mais sobre "livro", funcionando como um pronome que representa a palavra "livro" e recebendo a ação do verbo "emprestar".
Características e regras de uso do pronome relativo que
O uso do que como pronome relativo segue algumas regras importantes na língua portuguesa, sendo que ele pode ser flexível em diferentes contextos, mas exige atenção à concordância e à clareza referencial. Ao contrário de outros pronomes relativos como "quem" ou "o qual", o "que" permite uma maior versatilidade, pois pode se referir a pessoas, coisas, ideias ou situações, desde que haja um núcleo claro a ser retomado na oração principal.
- Pode atuar como objeto direto: "A carta que escrevi foi entregue."
- Pode atuar como objeto indireto com preposição: "A amiga que falei com ela é muito simpática."
- Em orações subordinadas adjetivadas, evita repetições desnecessárias: "Os estudantes que participaram do evento comemoraram."
O que é o "que" como conjunção integrante
O que como conjunção integrante funciona de maneira distinta, pois não substitui um nome, mas sim une duas orações, sendo considerado uma palavra invariável que estabelece uma relação de subordinação entre elas, formando uma estrutura onde a oração principal e a oração subordinada estão intrinsecamente ligadas em sentido e significado. Diferentemente do pronome relativo, o "que" neste caso não tem antecedentes nem funções sintáticas dentro da oração subordinada, atuando apenas como um conector gramatical que introduz a ideia subordinada.
Essa conjunção é muito comum em expressões que denotam desejo, necessidade, tempo ou finalidade, sendo amplamente utilizada em contextos formais e informais. Ao empregar o que como conjunção integrante, o falante ou escritor estabelece uma ligação lógica e sintática que pode transmitir nuances de subordinação, dependência ou até mesmo emotividade, sendo fundamental para a construção de orações complexas e bem elaboradas.
Exemplos de orações com "que" integrante
Para fixar a diferença, observe como o que atua como conjunção integrante em diferentes situações, unindo orações de forma que a segunda depende semanticamente da primeira para completar o sentido. Esses exemplos ilustram a versatilidade da palavra, mostrando-a em contextos de desejo, finalidade, tempo e necessidade, sempre com a clara subordinação sintática.
- Desejo: "Eu queria que você viesse à festa."
- Finalidade: "Estudo para que você entenda a matéria."
- Tempo: "Fiquei no cinema que terminou a sessão."
- Necessidade: "Precisamos de um plano que funcione para todos."
Como identificar a função do "que" na frase
Reconhecer se o que está atuando como pronome relativo ou como conjunção integrante pode parecer desafiador à primeira vista, mas algumas estratégias simples ajudam a evitar confusões e a aplicar a gramática corretamente em qualquer situação de escrita ou fala. A chave está em analisar a estrutura da oração, verificar a existência de um núcleo a ser retomado e observar o papel sintático da palavra dentro da frase, considerando também a possibilidade de supressão ou substituição sem perda de sentido.
Uma dica prática é testar a oração com a substituição: se for possível substituir o que por outro pronome relativo como "o qual" ou "o que" sem alterar a estrutura, provavelmente estamos lidando com um pronome relativo. Porém, se a oração subordinada ficar incompreensível ou com sentido incorreto sem esse elemento, mas a remoção do "que" deixar a frase inválida, é sinal de que se trata de uma conjunção integrante essencial para a ligação entre as partes da sentença.
Exercícios práticos para fixar a diferença
Aplicar o conhecimento teórico em situações práticas é a melhor maneira de consolidar a distinção entre que como pronome relativo ou que como conjunção integrante, pois cada contexto exige uma análise sintática cuidadosa e o exercícrio constante melhora a sensibilidade gramatical ao longo do tempo. Esses trechos a seguir convidam à reflexão e à escolha correta, fortalecendo a habilidade de usar a palavra da forma mais adequada em diferentes ocasiões.
Confira os exemplos a seguir e decida se o que atua como pronome relativo ou como conjunção integrante, prestando atenção na relação entre as orações e no papel gramatical desempenhado por essa palavra:
- Ela disse que faria tudo pelo melhor.
- O carro que está na garagem é meu.
- Precisamos de uma solução que satisfaça todos.
- Fico feliz que você esteja se sentindo melhor.
- O livro que eu li ontem foi emprestado por ela.
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Dominar a distinção entre o que como pronome relativo ou que como conjunção integrante é um passo importante para aperfeiçoar a clareza e a precisão na comunicação escrita e falada, pois cada uso exige uma análise cuidadosa da estrutura sintática e do contexto. Com prática constante e atenção aos detalhes, essa pequena palavra deixará de ser uma dúvida para se tornar um recurso linguístico poderoso e natural em qualquer tipo de texto, demonstrando domínio completo da língua portuguesa.